O pré-candidato a presidente da República Sergio Moro (Podemos) comprometeu-se em carta aos cristãos a lutar contra a discriminação de LGB e usou o termo "preferência afetiva e sexual", que é rechaçado pela ciência e pelo ativismo.
O documento "Carta de Princípios para os Cristãos", lançado na segunda 7 em Fortaleza, traz 14 compromissos da pré-candidatura com a população religiosa, tais como não ampliar o direito ao aborto e atuar para o respeito à autonomia da família.
O texto é assinado por Sergio Moro, pelo seu partido e pelo chamado Núcleo da Coordenação Evangélica, que reúne religiosos que apoiam sua intenção de ser mandatário do País.
Em dois compromissos, o segmento LGB é citado diretamente. Não há referência à identidade de gênero.
No meio religioso, é grande a oposição à chamada "ideologia de gênero", que seria a propagação da ideia de que ser homem ou mulher não é algo nato e sim construído socialmente e sujeito à decisão de cada pessoa.
É o item 7 do documento: "Por princípio democrático, preservaremos a pluralidade política e incentivaremos o combate à discriminação, ao preconceito e ao discurso de incentivo ao ódio e à violência, ainda que simbólica, seja em virtude da religião, raça, orientação sexual ou ideologia".
O compromisso de número 11 aborda família e usa termo errado para falar de orientação sexual.
"Valorizaremos a autonomia da instituição familiar, respeitaremos as preferências afetivas e sexuais de cada indivíduo e a preservação dos direitos de cada um dos seus membros."
Tanto a psicologia quanto o movimento LGB rejeitam o termo preferência por ele dar ideia de que a orientação afetivo-sexual depende da vontade de cada indivíduo.
É provado que tais características não objeto de controle voluntário do indivíduo.
Nas pesquisas eleitorais divulgadas nas últimas semanas, Moro está em terceiro lugar com cerca de 9% das intenções de voto e empatado tecnicamente com Ciro Gomes (PDT). Lideram Lula (PT) e Jair Bolsonaro (PL).